domingo, 18 de janeiro de 2015

Pano



As mulheres olham,
Homens nem tanto,
Apenas dois olhos
Tentando decifrar
O que há atrás de todo este pano...

Cada detalhe facilmente lembrado
Por olhos decifradores de alma,
Agora o que resta
São meros olhos,
Um dono satisfeito
E a falta de foco...

Quando olhei estavam lá
Eram puros, pensei ter roubado,
Engano, não estavam
Não roubei, não me miravam
Nem conseguiam imaginar que era eu,
Sem um pano sequer...

                Autora: Letíca de Sá

Pensamentos trocados


Olhar nos seus olhos
Que para sempre estariam
Gravados nos meus
Olhar nos seus olhos
Os pensamentos trocados
Talvez tão trocados
Que nem fossem mesmo os seus...

                 
                         Autora: Letícia de Sá

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Olhar o mar

Nada como
Comer os sonhos
E refrear a alma
Engolir a vida
Como quem toma água
E morrer de noite
Depois de uma vida calma...

Nada como
Olhar pra frente
E permanecer parado
Ouvir mentiras
E ficar calado
Carregar os fardos
Como um bom cavalo...

Sonhar em aproveitar
Pisar na água e olhar o mar
Mas não entrar...


                                Autora: Letícia de Sá

Eu e os livros



Um dia nublado, um leite quente,
Um livro do lado e a felicidade
Perene e fria de ser só eu...

Ainda faltam pedaços
E a felicidade não poderia ser assim
Tão singela e real
A vontade de me deixar
Tão incompleta e fraca
Quanto ser só eu...

As noite tão minhas
Os dias são meus
O lado ocupado
Por mim e eu mesma
Eu por todos os cantos
Em todas as partes
Se me pego afobada, inconsolada,
Se no cais me encontro
Quem me consola sou eu
Quem me afaga sou eu
Meu porto seguro não é mais seguro
Que o meu próprio eu instável...

E eu me conheço
Eu me julgo
E me perdôo
Porque eu sei
O que é me encontrar tão degradada...

Um dia nublado, um leite quente,
Um livro do lado e a felicidade
De me afogar em algo tão diferente de mim...

                            Autora: Letícia de Sá